O Theatro Municipal de São Paulo amanheceu tomado por vozes jovens, fantasias e livros na manhã de quarta-feira, 6 de maio, quando cerca de 1.000 pessoas, entre estudantes, professores e bibliotecários da rede pública, ocuparam o espaço para a abertura da 15ª Semana Municipal de Incentivo e Orientação ao Estudo e à Leitura, que é gratuita e acontece até 15 de maio com atividades culturais por vários espaços da capital paulista. Vindos de 19 escolas municipais, eles transformaram o teatro em um ambiente de circulação de histórias, dentro e fora do palco, em uma programação que combinou apresentações artísticas, mediação de leitura e participação dos próprios alunos.
Instituída pela Lei nº 14.999/2009 e incorporada ao calendário oficial da cidade, a iniciativa é de autoria do vereador Eliseu Gabriel (PSB) e é realizada em parceria com as secretarias municipais de Educação, Cultura e da Pessoa com Deficiência. “É uma semana que sempre tem novidades. É muito legal ver essa criatividade toda”, afirmou. “A leitura faz a gente sonhar, pensar. E inovar não é só fazer coisa nova, muitas vezes, é criar um jeito novo daquilo que já existe”, ressaltou. Para ele, a proposta da semana está justamente em ampliar o acesso ao livro por diferentes caminhos. “Cada ano que passa tem mais coisa acontecendo, mais participação, mais ideias. Isso mostra que a leitura continua viva.”
Antes mesmo de o público se acomodar na plateia, o saguão já antecipava o espírito do evento. Alunos caracterizados como chefs circulavam com caixas de pizza e ofereciam pedaços feitos de papel, impressos com trechos de autores consagrados. A intervenção, ao mesmo tempo simples e criativa, ressaltava a proposta da semana: tirar o livro do lugar estático e levá-lo para o encontro.
Dentro da sala de espetáculos, a formalidade habitual cedeu espaço a uma atmosfera marcada pela presença estudantil. Personagens literários se misturavam entre as poltronas e grupos se organizavam para apresentações. Ao longo da manhã, música, dança e encenações se alternaram no palco, como a execução do Hino Nacional, pelo Quarteto Ensemble da Fundação Theatro Municipal, além da apresentação de Ballet Juliana Maciel, com mais de 40 pessoas no palco A abertura ganhou, ainda, tom festivo com a apresentação da Banda Fun 7, que levou ao público canções como o tema do “Sítio do Picapau Amarelo”, “Anunciação”, de Alceu Valença, além de outras músicas populares do repertório infantil e do cenário brasileiro. Ao final da atividade, na saída, os estudantes receberam o “Passaporte da Leitura”.
Protagonismo
Para os professores, a experiência de deslocar os alunos para um espaço simbólico como o Municipal amplia o alcance do trabalho feito em sala de aula. “Na escola, a gente já incentiva bastante a leitura, mas faltava algo que expandisse isso”, disse Patrícia Fernandes, professora do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental da EMEF Humberto Dantas. “Eles chegaram encantados, e isso faz diferença. Começaram a ler mais, queriam trazer livros, indicar uns aos outros”, completou. Segundo ela, a preparação mobilizou as turmas nas semanas anteriores, especialmente por meio dos projetos de sala de leitura.
Esse protagonismo também aparece em iniciativas como o Imprensa Jovem, projeto que transforma estudantes em repórteres dentro das próprias escolas. Bianca Fernandes, do 9º ano do Ensino Fundamental da EMEF Prof. José Mário Pires Azanha, acompanhava a programação com gravador e celular em mãos. “A gente faz entrevistas, escreve matérias e publica nas redes sociais”, explicou. “Aqui no teatro, é a segunda vez que a gente vem cobrir a Semana da Leitura”, comentou.
A experiência de ocupar o palco de um dos espaços culturais mais emblemáticos da cidade marcou muitos dos participantes. Para Luísa Garrido Russo, do 8º ano do Ensino Fundamental da EMEF Prof. Gabriel Sylvestre Teixeira de Carvalho, a vivência teve um peso especial. “Já tinha vindo aqui, mas nunca para apresentar. Foi algo mágico. O teatro em si já é uma grande estrutura, e ver tudo acontecendo aqui… Foi muito bonito”, disse.
Escritores
Entre as atividades, a participação da psicopedagoga e escritora infantojuvenil Paula Furtado trouxe uma abordagem voltada à formação de leitores a partir da experiência emocional. Em uma intervenção interativa, ela articulou narrativa e imaginação com referências que iam de “O Homem que Calculava” ao universo da Turma da Mônica, convidando os estudantes a entrar nas histórias.
Com mais de 100 livros publicados, a autora destacou que a leitura também atua como ferramenta de elaboração subjetiva. “Além de desenvolver habilidades cognitivas, ela ajuda a lidar com sentimentos e a encontrar caminhos para conflitos”, afirmou. Para ela, iniciativas como a desta semana ganham ainda mais relevância ao oferecer acesso a espaços como o Municipal. “É sair das telas rápidas e entrar na imaginação, em um lugar que permite criar.”
Programação segue pela cidade
A agenda se estende até o dia 15 de maio, com atividades distribuídas por bibliotecas, centros culturais e escolas da cidade. A programação inclui contação de histórias, saraus, oficinas, encontros com autores e intervenções culturais, ampliando o acesso ao livro em diferentes territórios. A programação completa pode ser conferida no www,estudoeleitura.con.br/agendese
